Acho que o belo está no entre lugar, no território que ainda não chegou. O entre lugar é bonito com seus açudes à beira do caminho. A vegetação nativa com seus cactos valentes e flores vermelhas são exuberantes e provocam encantos. A estrada sinaliza a aridez nos leitos dos rios que perderam momentaneamente sua carne, talvez a imagem mais transfigurada daquilo que concebemos como real. O colorido do céu é bem diferente, possivelmente, mais azul, poucas nuvens e sempre muito brancas. O sol com seus raios preenchem as tonalidades do cenário ao penetrarem na vegetação do agreste, configurando leveza e severidade. A estiagem austera duela com a destemida planta sertaneja sobre os elementos cotidianos que dizem sobre a vida e a morte. A contemplação do belo no entre lugar não nos leva para o lugar poético ideal, mas revolve-nos provocando sentimentos intrépidos, o sertão passa a nos habitar.
Este lugar tem sido uma experiência nova nas minhas possibilidades de expressão e comunicação. Não tem nada planejado em termos de forma, estratégias e conteúdos. Somente, até o momento, um lugar de desabafo difuso sobre os mais diferentes assuntos que tocam "nossas" vidas.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
OUTONO NO ENTRE LUGAR
Acho que o belo está no entre lugar, no território que ainda não chegou. O entre lugar é bonito com seus açudes à beira do caminho. A vegetação nativa com seus cactos valentes e flores vermelhas são exuberantes e provocam encantos. A estrada sinaliza a aridez nos leitos dos rios que perderam momentaneamente sua carne, talvez a imagem mais transfigurada daquilo que concebemos como real. O colorido do céu é bem diferente, possivelmente, mais azul, poucas nuvens e sempre muito brancas. O sol com seus raios preenchem as tonalidades do cenário ao penetrarem na vegetação do agreste, configurando leveza e severidade. A estiagem austera duela com a destemida planta sertaneja sobre os elementos cotidianos que dizem sobre a vida e a morte. A contemplação do belo no entre lugar não nos leva para o lugar poético ideal, mas revolve-nos provocando sentimentos intrépidos, o sertão passa a nos habitar.
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