segunda-feira, 30 de abril de 2012

OUTONO NO ENTRE LUGAR

Acho que o belo está no entre lugar, no território que ainda não chegou. O entre lugar é bonito com seus açudes à beira do caminho. A vegetação nativa com seus cactos valentes e flores vermelhas são exuberantes e provocam encantos. A estrada sinaliza a aridez nos leitos dos rios que perderam momentaneamente sua carne, talvez a imagem mais transfigurada daquilo que concebemos como real. O colorido do céu é bem diferente, possivelmente, mais azul, poucas nuvens e sempre muito brancas. O sol com seus raios preenchem as tonalidades do cenário ao penetrarem na vegetação do agreste, configurando leveza e severidade. A estiagem austera duela com a destemida planta sertaneja sobre os elementos cotidianos que dizem sobre a vida e a morte. A contemplação do belo no entre lugar não nos leva para o lugar poético ideal, mas revolve-nos provocando sentimentos intrépidos, o sertão passa a nos habitar.