sábado, 26 de novembro de 2011

TÊNIS NIKE ORIGINAL

EU ETIQUETA
Carlos Drummond de Andrade
... É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Em defesa do sentido PÚBLICO da UEI/UFCG

Sendo pai de uma criança na Unidade de Educação Infantil da UFCG, venho, por meio deste email, esclarecer e mobilizar a comunidade no esforço coletivo de construção de um espaço educacional efetivamente público. Ao matricular meu filho, no início deste ano de 2011, fomos informados que precisaríamos depositar uma taxa para cobrir as despesas com material de uso diário, como folhas ofício, tubos de cola, cartolinas etc. Mais significativo foi constatar que um determinado segmento (talvez o mais vulnerável socialmente) deveria pagar uma MENSALIDADE para garantir o acesso e a permanência de seus filhos na instituição. Na época manifestei discordância, mas pouco adiantou. Recentemente, uma atividade esportivo-cultural foi incorporada ao grupo I (para os alunos do grupo II e III acredito que essa atividade já vinha sendo realizada) no período letivo regular, porém, somente para os pais que se dispusessem a pagar uma taxa mensal de 20 reais (acho que é esse o valor). Fiquei inconformado e indignado, não com o valor, mas com o procedimento de promoção da EXCLUSÃO dentro de um estabelecimento que deveria promover a universalidade do atendimento com qualidade. Imaginem, ao longo de um ano letivo, crianças sendo encaminhadas para uma determinada atividade, num determinado momento do dia, e outras não tendo acesso por que não pagaram a mensalidade. Esse é o mecanismo mais perverso de NÃO RESPONSABILIZAÇÃO do ESTADO (neste caso da Universidade) e de PRIVATIZAÇÃO daquilo que deveria ser público.
Finalizo fazendo menção a Resolução do CNE, n. 1 de 10 de março de 2011, que fixa normas de funcionamento das unidades de Educação Infantil ligadas à Administração Pública direta, suas autarquias e fundações:
Art. 1, II, - realizar atendimento educacional gratuito a todos, vedada a cobrança de contribuição ou taxa de matrícula, custeio de material didático ou qualquer outra.
Art.8 – No exercício de sua autonomia, atendidas as exigências desta Resolução, as universidades devem definir a vinculação das unidades de Educação Infantil na sua estrutura administrativa e organizacional e ASSEGURAR os RECURSOS FINANCEIROS E HUMANOS para seu pleno funcionamento.

sábado, 17 de setembro de 2011

A "ONDA" na UFCG/ CES

Tivemos uma ótima experiência pedagógica hoje na UFCG/CES, quando os alunos da turma de avaliação, numa "onda", se propuseram a dar cores e formas as discussões sobre o PNE (Plano Nacional de Educação). O resultado foi um campus modificado, grafitado, pintado, ainda que de forma efêmera, pelas incursões estético-pedagógicas que aboliam os formalismos e propunham outras formas de aprender e ensinar, assim como, de expressão política. Foi um grande aprendizado para todos nós.



sábado, 27 de agosto de 2011

TRAVESSURAS E CORRUPÇÕES

Me disseram que sonhar
Era ingênuo, é dai?
Nossa geração não quer sonhar
Pois que sonhe, a que há de vir
Travessuras
Oswaldo Montenegro

Sou travesso, mas não sou corrupto. Bebo vinho com gelo. Compro DVD pirata. Fotocopio livros com direitos autorais. Defendo a descriminalização do uso de drogas. Deixei de pagar a conta de telefone fixo. Considerando os juros, não pude (e também não quis) liquidar dívidas com grandes bancos/banqueiros. Mas, não furo fila. Não vendo meu voto. Já devolvi, voluntariamente, dinheiro público depositado incorretamente em minha conta. Não me aproprio do bem comum para usufruto particular. Não mesmo. Considero padres e pastores. Não os teólogos com práticas espiritoalienantes em nome de Deus. Respeito os servidores públicos docentes. Não os que não servem. Compreendo a violência em nome da sobrevivência. Mas guardo medo dos perigosos policiais milicianos (de todos os tipos). Estimo os poucos políticos obstinados que lutam contra a corrupção. Não, não os CORRUPTOS que sangram os cofres públicos para se locupletarem. Sigo as normas e leis constituídas, porém, quando outorgadas, quero ser anarquista.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O POETA POPULAR E O POLÍTICO PROFISSIONAL- ENCONTROS NO PARQUE DO POVO

MARIA sem sobrenome
Sem passado ou tradição,
Sem procedência importante
Sem orgulho ou ambição
Sem apegos e sem laços
Viveu de vender pedaços
Do seu grande coração...


Meus amigos(...) No momento político-eleitoral
que antecede a eleição há uma disputa, muitas vezes,
acirrada, em que vez ou outra podem lançar-se
algumas farpas, mas que são superadas pela consciência
que temos todos de que quem é eleito representa a todos.



Como sabemos as festividades juninas no nordeste brasileiro são manifestações populares que exprimem as singularidades culturais de um povo. Em Campina Grande/PB, mais especificamente no Parque do Povo, embora enredada pelos aparatos de grande negócio, os quais sufocam cada vez mais as aparições festivas populares, é possível encontrar vestígios resistentes dessa manifestação. Numa ida que realizamos, num dos trinta dias de festa que envolve a cidade e a região, encontramos duas personalidades. Uma delas foi Manoel Monteiro, cordelista, poeta popular, conhecido por suas muitas estórias e defensor do cordel como entretenimento, cultura e ferramenta educativa para as novas gerações. Conversamos brevemente e fomos envolvidos pela singeleza do cordel como meio de registrar um modo peculiar de vida. No mesmo dia, também tivemos um encontro com Michel Temer, vice-presidente da República, com pleno assédio da mídia e grande parte da elite política local e regional, logicamente, não nos comunicamos. Mas, não seria preciso, pois os feitos de nossos representantes, com raríssimas exceções, dizem sobre seus objetivos espúrios de perpetuação no poder com suas benesses. Poderíamos dizer que os dois protagonistas desse encontro fortuito de um dia de festa, pode ser resumido ao encantamento que produzem. O primeiro por meio de seus versos criam personagens a partir de pessoas comuns com fatos do nosso cotidiano, nos permitindo o encantamento poético. O outro, incluindo seus correligionários, nos encanta com seu canto de sereia e entorpece nossas consciências (ou ao menos tenta), promovendo assim a privatização do Estado diuturnamente em nosso país.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

NOVA CRUZADA SANTA: HOMOFOBIA E PROSPERIDADE

Nos últimos meses assistimos um crescimento do debate em torno da criminalização da homofobia, sobretudo, considerando o trâmite no Congresso Nacional do PLC 122/2006 que, entre outros aspectos, define os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero. O incomodo em tudo isso, para ser bem direto, é presenciar a formação de uma nova cruzada santa nacional em oposição ao projeto de lei, assumida por boa parte dos líderes evangélicos locais até os renomados mensageiros midiáticos. Poderia citar alguns exemplos atuais desse movimento de perseguição aos infiéis como: abaixo assinados, encontros, mobilizações virtuais e lobbies em Brasília, mas me detenho num acontecimento vivido em minha comunidade, por época das últimas eleições presidenciais, quando um vídeo foi apresentado ao final da preleção para caracterizar o perigo que representava determinadas forças políticas e o quanto deveríamos nos opor naquele momento de disputa eleitoral. Sem dar a devida atenção ao grotesco proselitismo, comum em nossas comunidades evangélicas, o que saltou aos olhos, mais imediatamente, foi o conteúdo do vídeo que se aproximava fortemente, e perigosamente, de uma incitação ao acirramento dos ânimos em relação aos homossexuais. Não pretendo elaborar nesse ensaio nenhum tratado teológico ou jurídico sobre essa querela, mas simplesmente perguntar: por que os líderes evangélicos não levantam a bandeira tão enfaticamente quanto o fazem em relação à questão da homofobia, contra o estado de miséria social e econômica em que vivem milhões de brasileiros? Contra a concentração aviltante de renda, caracterizando o Brasil como um dos países mais desiguais do mundo? Contra a corrupção econômica e política tão presente em nosso contexto? Ou mesmo contra a degradação ambiental tão acelerada atualmente. Imagino que se tivéssemos ao menos metade do ânimo que estamos apresentando nessa questão cruzadística, não tenho dúvidas, nossa sociedade teria menos iniquidades. Contudo, preferimos nos acomodar ao imediatismo do assistencialismo das muitas sopas semanais ou a valorização, tão antiga quanto anacrônica, do incentivo reducionista do cristão benevolente, ou seja, aquele que se contenta em ajudar ao próximo, exclusivamente, por meio de esmolas. E, ainda, de forma mais drástica nos acomodamos cada vez mais ao discurso da prosperidade, afinal nutrir o valor de prosperidade numa sociedade capitalista, desigual, estratificada, consumista, miserável e corrupta não é incompatível.

Certamente, não tem compatibilidade com os valores bíblicos, quando nos ensina a tomar nossa cruz e segui-Lo. A espiritualidade em grande parte das nossas igrejas tem sido vivida na condição de consumidores individuais ávidos por prosperidade material (e seus similares) e, ao mesmo tempo, de forma contraditória, com a promessa dicotômica de outro mundo que nos desencarna de qualquer projeto de intervenção em nossa sociedade. Algo completamente em desacordo com a integralidade do evangelho.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

ANO NOVO, ESCOLAS E CONTAS A PAGAR

Início de ano novo significa colocar a casa em ordem. Rever pendências do ano anterior, planejar ações, definir metas etc. Para um trabalhador assalariado rever e prever possibilidades financeiras domésticas, ainda que indique um racionalismo, muitas vezes, distante daquilo que efetivamente nos move em nossas decisões corriqueiras, são necessárias e de bom alvitre. Tenho três filhos, dois deles estudando em escolas particulares e o mais novo, para alegria da família, ingressará numa escola pública de educação infantil de referência na cidade de Campina Grande.
Digo alegria, pois sou ardoroso defensor da universalização com qualidade das escolas públicas e, ao poder matriculá-lo nesse lugar, visto a notória qualidade educacional que apresenta, mitiguei um pouco a contradição que vivo ao ter os outros filhos em escolas onde o valor de mercado e o desejo de lucro prevalecem de forma mais ou menos intensa. Nessas escolas particulares, observei, com um pouco de estupor, que parece haver um acordo tácito entre elas que, pelo menos nos últimos anos, reajustam as matrículas num valor comum em torno de 10%. Não importando se a inflação esteve bem abaixo desse percentual ou se os responsáveis não tiveram aumento salarial compatível com esse aumento. Agrava-se a situação ao constatarmos a não apresentação e/ou divulgação da planilha de investimentos e custeios, sem qualquer abertura de negociação com os pais, conforme prevê a lei 9.870, de 23 de novembro de 1999. Numa das escolas, a qual minha filha mais velha está matriculada, considerada a melhor da cidade, pois assim se apresenta com suas instalações admiráveis, com seu marketing vinculado as aprovações nos ENEMs e vestibulares, qualquer possibilidade de rever os valores, considerando a materialidade da vida, é ignorada pela impessoalidade das normas, que nos homogeneíza com os pais “empresários” que, certamente, estão pouco preocupados com algo tão “insignificante” como o aumento das mensalidades escolares.
Pensando bem, aqui vai uma mea culpa, ao querer ver nossos filhos em “boas” escolas, acabamos por negligenciar o potencial que teríamos se estivéssemos presentes nas instituições públicas, essas mesmas sucateadas de hoje, e nos mobilizássemos para reivindicar dos gestores municipais e estaduais políticas públicas efetivas para a educação escolar: professores bem remunerados, material didático à disposição e adequado, infra-estrutura renovada, proposta pedagógica e gestão compartilhadas, merenda escolar nutritiva e sem interrupções ao longo do ano, entre outras. Talvez, ao querermos o melhor imediato para nossos filhos, nos afastamos das possibilidades de valorização dos espaços públicos em nossa sociedade e acabamos por incentivar o mercado educacional que, indubitavelmente, é divergente de uma qualidade de ensino-aprendizagem socialmente referenciada.