MARIA sem sobrenome
Sem passado ou tradição,
Sem procedência importante
Sem orgulho ou ambição
Sem apegos e sem laços
Viveu de vender pedaços
Do seu grande coração...
Meus amigos(...) No momento político-eleitoral
que antecede a eleição há uma disputa, muitas vezes,
acirrada, em que vez ou outra podem lançar-se
algumas farpas, mas que são superadas pela consciência
que temos todos de que quem é eleito representa a todos.
Como sabemos as festividades juninas no nordeste brasileiro são manifestações populares que exprimem as singularidades culturais de um povo. Em Campina Grande/PB, mais especificamente no Parque do Povo, embora enredada pelos aparatos de grande negócio, os quais sufocam cada vez mais as aparições festivas populares, é possível encontrar vestígios resistentes dessa manifestação. Numa ida que realizamos, num dos trinta dias de festa que envolve a cidade e a região, encontramos duas personalidades. Uma delas foi Manoel Monteiro, cordelista, poeta popular, conhecido por suas muitas estórias e defensor do cordel como entretenimento, cultura e ferramenta educativa para as novas gerações. Conversamos brevemente e fomos envolvidos pela singeleza do cordel como meio de registrar um modo peculiar de vida. No mesmo dia, também tivemos um encontro com Michel Temer, vice-presidente da República, com pleno assédio da mídia e grande parte da elite política local e regional, logicamente, não nos comunicamos. Mas, não seria preciso, pois os feitos de nossos representantes, com raríssimas exceções, dizem sobre seus objetivos espúrios de perpetuação no poder com suas benesses. Poderíamos dizer que os dois protagonistas desse encontro fortuito de um dia de festa, pode ser resumido ao encantamento que produzem. O primeiro por meio de seus versos criam personagens a partir de pessoas comuns com fatos do nosso cotidiano, nos permitindo o encantamento poético. O outro, incluindo seus correligionários, nos encanta com seu canto de sereia e entorpece nossas consciências (ou ao menos tenta), promovendo assim a privatização do Estado diuturnamente em nosso país.


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