segunda-feira, 19 de julho de 2010


Tão
longe
e
tão
perto
de
casa

Trajetórias de infância de um menino avesso à escola...

A casa da minha infância tinha portas e janelas largas,
um quintal
imenso que ia da rua principal do bairro à rua dos fundos. Havia muitas árvores de diferentes espécies que serviam para as mais variadas brincadeiras com os amigos da vizinhança. A família ampliada possibilitava um convívio com tias e avós. Era um lugar especial. Sua arquitetura ensejava alguns mistérios para os meninos que gostavam de aventura. Pois ela possuía compartimentos não acessíveis como um rebaixamento de madeira do teto que configurava uma espécie de sótão. Só havia uma entrada pela cozinha, o que despertava grande curiosidade para saber o que tinha para além daquela portinhola. Da mesma forma, o piso era suspenso por madeiras corridas, a pelo menos um metro do chão, o que dava a impressão de que havia um porão sobre nossos pés e que segredos longínquos estavam guardados naquele lugar. Imagens de infância de um menino que, por diferentes motivos, foi avesso à escola. Os anos iniciais da minha formação escolar reforçavam a vontade de abandonar esse ambiente que supostamente não era o meu. E eu nem sabia que a casa da minha infância havia sido, em décadas passadas, uma escola pública. Lugar de tantos prazeres para mim e que servira, em outros tempos, ao magistério do ensino primário. Ironia da vida... Digo isso porque hoje sou professor.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Sobreviventes do semiárido paraibano


A serra da Caxexa,entre Barra de Santa Rosa e Remígio na Paraíba, é um lugar fantástico para contemplar belezas naturais como esta flor, assim como, a resistência do sertanejo no seu dia a dia.

domingo, 11 de julho de 2010

Viagem marcante


A cidade onde fiz estágio sanduíche possuía diversas vias compostas por múltiplos caminhos que conduziam os peregrinos ao lugar santo - rotas ancestrais que indicavam o sítio onde estariam os restos mortais do apóstolo homônimo à cidade que era alvo da peregrinação (Santiago de Compostela). Nas antigas peregrinações, havia o desejo constante de encontrar Deus, pureza, paz, equilíbrio e respostas que afligiam a existência humana. Como eu poderia imaginar que esta prática religiosa de outrora fosse estar tão presente durante a minha estadia na cidade? Certamente, refiro-me a uma percepção simbólica, afetivo-emocional, político-cultural e não só religiosa, como, também, refiro-me a uma prática que vivemos e empreendemos em "nós mesmos". Ou seja, toda viagem requer uma redescoberta “interior” e um mergulho na vida ordinária, naquilo que vivemos e conhecemos, mas que, paradoxalmente, ignoramos.
Talvez esta viagem "interior" pudesse se desenrolar em qualquer outra cidade, o que nos indica que o peso das experiências vividas está nas relações socioculturais e não propriamente (ou somente) nos simbolismos arquiteturais, históricos ou outros. Mas, de qualquer forma, era evidente que a ‘atmosfera’ desta cidade ainda remontava à idéia de procura de algo ainda não revelado. Os mochileiros modernos, por exemplo, estavam por toda parte; muitos dos habitantes de rua, que não eram poucos para um país rico como a França, se autodenominavam peregrinos; a convivência étnica, por vezes conflituosa, entre franceses, europeus do leste, lusitanos, árabes magrebinos e sub-saarianos conformava um caldo político cultural que se misturava com os sinos que repicavam durante todo o dia nas diversas igrejas que compunham um mosaico estrategicamente construído para impor o tempo da fé. Ou seja, esse emaranhado de vida batia à nossa porta de uma forma surpreendente - sendo difícil nos tornarmos passivos...