segunda-feira, 19 de julho de 2010

Trajetórias de infância de um menino avesso à escola...

A casa da minha infância tinha portas e janelas largas,
um quintal
imenso que ia da rua principal do bairro à rua dos fundos. Havia muitas árvores de diferentes espécies que serviam para as mais variadas brincadeiras com os amigos da vizinhança. A família ampliada possibilitava um convívio com tias e avós. Era um lugar especial. Sua arquitetura ensejava alguns mistérios para os meninos que gostavam de aventura. Pois ela possuía compartimentos não acessíveis como um rebaixamento de madeira do teto que configurava uma espécie de sótão. Só havia uma entrada pela cozinha, o que despertava grande curiosidade para saber o que tinha para além daquela portinhola. Da mesma forma, o piso era suspenso por madeiras corridas, a pelo menos um metro do chão, o que dava a impressão de que havia um porão sobre nossos pés e que segredos longínquos estavam guardados naquele lugar. Imagens de infância de um menino que, por diferentes motivos, foi avesso à escola. Os anos iniciais da minha formação escolar reforçavam a vontade de abandonar esse ambiente que supostamente não era o meu. E eu nem sabia que a casa da minha infância havia sido, em décadas passadas, uma escola pública. Lugar de tantos prazeres para mim e que servira, em outros tempos, ao magistério do ensino primário. Ironia da vida... Digo isso porque hoje sou professor.

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