MARIA sem sobrenome
Sem passado ou tradição,
Sem procedência importante
Sem orgulho ou ambição
Sem apegos e sem laços
Viveu de vender pedaços
Do seu grande coração...
Meus amigos(...) No momento político-eleitoral
que antecede a eleição há uma disputa, muitas vezes,
acirrada, em que vez ou outra podem lançar-se
algumas farpas, mas que são superadas pela consciência
que temos todos de que quem é eleito representa a todos.
Como sabemos as festividades juninas no nordeste brasileiro são manifestações populares que exprimem as singularidades culturais de um povo. Em Campina Grande/PB, mais especificamente no Parque do Povo, embora enredada pelos aparatos de grande negócio, os quais sufocam cada vez mais as aparições festivas populares, é possível encontrar vestígios resistentes dessa manifestação. Numa ida que realizamos, num dos trinta dias de festa que envolve a cidade e a região, encontramos duas personalidades. Uma delas foi Manoel Monteiro, cordelista, poeta popular, conhecido por suas muitas estórias e defensor do cordel como entretenimento, cultura e ferramenta educativa para as novas gerações. Conversamos brevemente e fomos envolvidos pela singeleza do cordel como meio de registrar um modo peculiar de vida. No mesmo dia, também tivemos um encontro com Michel Temer, vice-presidente da República, com pleno assédio da mídia e grande parte da elite política local e regional, logicamente, não nos comunicamos. Mas, não seria preciso, pois os feitos de nossos representantes, com raríssimas exceções, dizem sobre seus objetivos espúrios de perpetuação no poder com suas benesses. Poderíamos dizer que os dois protagonistas desse encontro fortuito de um dia de festa, pode ser resumido ao encantamento que produzem. O primeiro por meio de seus versos criam personagens a partir de pessoas comuns com fatos do nosso cotidiano, nos permitindo o encantamento poético. O outro, incluindo seus correligionários, nos encanta com seu canto de sereia e entorpece nossas consciências (ou ao menos tenta), promovendo assim a privatização do Estado diuturnamente em nosso país.
Este lugar tem sido uma experiência nova nas minhas possibilidades de expressão e comunicação. Não tem nada planejado em termos de forma, estratégias e conteúdos. Somente, até o momento, um lugar de desabafo difuso sobre os mais diferentes assuntos que tocam "nossas" vidas.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
segunda-feira, 11 de julho de 2011
NOVA CRUZADA SANTA: HOMOFOBIA E PROSPERIDADE
Nos últimos meses assistimos um crescimento do debate em torno da criminalização da homofobia, sobretudo, considerando o trâmite no Congresso Nacional do PLC 122/2006 que, entre outros aspectos, define os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero. O incomodo em tudo isso, para ser bem direto, é presenciar a formação de uma nova cruzada santa nacional em oposição ao projeto de lei, assumida por boa parte dos líderes evangélicos locais até os renomados mensageiros midiáticos. Poderia citar alguns exemplos atuais desse movimento de perseguição aos infiéis como: abaixo assinados, encontros, mobilizações virtuais e lobbies em Brasília, mas me detenho num acontecimento vivido em minha comunidade, por época das últimas eleições presidenciais, quando um vídeo foi apresentado ao final da preleção para caracterizar o perigo que representava determinadas forças políticas e o quanto deveríamos nos opor naquele momento de disputa eleitoral. Sem dar a devida atenção ao grotesco proselitismo, comum em nossas comunidades evangélicas, o que saltou aos olhos, mais imediatamente, foi o conteúdo do vídeo que se aproximava fortemente, e perigosamente, de uma incitação ao acirramento dos ânimos em relação aos homossexuais. Não pretendo elaborar nesse ensaio nenhum tratado teológico ou jurídico sobre essa querela, mas simplesmente perguntar: por que os líderes evangélicos não levantam a bandeira tão enfaticamente quanto o fazem em relação à questão da homofobia, contra o estado de miséria social e econômica em que vivem milhões de brasileiros? Contra a concentração aviltante de renda, caracterizando o Brasil como um dos países mais desiguais do mundo? Contra a corrupção econômica e política tão presente em nosso contexto? Ou mesmo contra a degradação ambiental tão acelerada atualmente. Imagino que se tivéssemos ao menos metade do ânimo que estamos apresentando nessa questão cruzadística, não tenho dúvidas, nossa sociedade teria menos iniquidades. Contudo, preferimos nos acomodar ao imediatismo do assistencialismo das muitas sopas semanais ou a valorização, tão antiga quanto anacrônica, do incentivo reducionista do cristão benevolente, ou seja, aquele que se contenta em ajudar ao próximo, exclusivamente, por meio de esmolas. E, ainda, de forma mais drástica nos acomodamos cada vez mais ao discurso da prosperidade, afinal nutrir o valor de prosperidade numa sociedade capitalista, desigual, estratificada, consumista, miserável e corrupta não é incompatível.
Certamente, não tem compatibilidade com os valores bíblicos, quando nos ensina a tomar nossa cruz e segui-Lo. A espiritualidade em grande parte das nossas igrejas tem sido vivida na condição de consumidores individuais ávidos por prosperidade material (e seus similares) e, ao mesmo tempo, de forma contraditória, com a promessa dicotômica de outro mundo que nos desencarna de qualquer projeto de intervenção em nossa sociedade. Algo completamente em desacordo com a integralidade do evangelho.
Certamente, não tem compatibilidade com os valores bíblicos, quando nos ensina a tomar nossa cruz e segui-Lo. A espiritualidade em grande parte das nossas igrejas tem sido vivida na condição de consumidores individuais ávidos por prosperidade material (e seus similares) e, ao mesmo tempo, de forma contraditória, com a promessa dicotômica de outro mundo que nos desencarna de qualquer projeto de intervenção em nossa sociedade. Algo completamente em desacordo com a integralidade do evangelho.
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