segunda-feira, 30 de abril de 2012

OUTONO NO ENTRE LUGAR

Acho que o belo está no entre lugar, no território que ainda não chegou. O entre lugar é bonito com seus açudes à beira do caminho. A vegetação nativa com seus cactos valentes e flores vermelhas são exuberantes e provocam encantos. A estrada sinaliza a aridez nos leitos dos rios que perderam momentaneamente sua carne, talvez a imagem mais transfigurada daquilo que concebemos como real. O colorido do céu é bem diferente, possivelmente, mais azul, poucas nuvens e sempre muito brancas. O sol com seus raios preenchem as tonalidades do cenário ao penetrarem na vegetação do agreste, configurando leveza e severidade. A estiagem austera duela com a destemida planta sertaneja sobre os elementos cotidianos que dizem sobre a vida e a morte. A contemplação do belo no entre lugar não nos leva para o lugar poético ideal, mas revolve-nos provocando sentimentos intrépidos, o sertão passa a nos habitar.

sábado, 26 de novembro de 2011

TÊNIS NIKE ORIGINAL

EU ETIQUETA
Carlos Drummond de Andrade
... É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Em defesa do sentido PÚBLICO da UEI/UFCG

Sendo pai de uma criança na Unidade de Educação Infantil da UFCG, venho, por meio deste email, esclarecer e mobilizar a comunidade no esforço coletivo de construção de um espaço educacional efetivamente público. Ao matricular meu filho, no início deste ano de 2011, fomos informados que precisaríamos depositar uma taxa para cobrir as despesas com material de uso diário, como folhas ofício, tubos de cola, cartolinas etc. Mais significativo foi constatar que um determinado segmento (talvez o mais vulnerável socialmente) deveria pagar uma MENSALIDADE para garantir o acesso e a permanência de seus filhos na instituição. Na época manifestei discordância, mas pouco adiantou. Recentemente, uma atividade esportivo-cultural foi incorporada ao grupo I (para os alunos do grupo II e III acredito que essa atividade já vinha sendo realizada) no período letivo regular, porém, somente para os pais que se dispusessem a pagar uma taxa mensal de 20 reais (acho que é esse o valor). Fiquei inconformado e indignado, não com o valor, mas com o procedimento de promoção da EXCLUSÃO dentro de um estabelecimento que deveria promover a universalidade do atendimento com qualidade. Imaginem, ao longo de um ano letivo, crianças sendo encaminhadas para uma determinada atividade, num determinado momento do dia, e outras não tendo acesso por que não pagaram a mensalidade. Esse é o mecanismo mais perverso de NÃO RESPONSABILIZAÇÃO do ESTADO (neste caso da Universidade) e de PRIVATIZAÇÃO daquilo que deveria ser público.
Finalizo fazendo menção a Resolução do CNE, n. 1 de 10 de março de 2011, que fixa normas de funcionamento das unidades de Educação Infantil ligadas à Administração Pública direta, suas autarquias e fundações:
Art. 1, II, - realizar atendimento educacional gratuito a todos, vedada a cobrança de contribuição ou taxa de matrícula, custeio de material didático ou qualquer outra.
Art.8 – No exercício de sua autonomia, atendidas as exigências desta Resolução, as universidades devem definir a vinculação das unidades de Educação Infantil na sua estrutura administrativa e organizacional e ASSEGURAR os RECURSOS FINANCEIROS E HUMANOS para seu pleno funcionamento.